AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE FRONTEIRA

O Meio Circundante

CARACTERIZAÇÃO DO AGRUPAMENTO E DO MEIO ENVOLVENTE

O CONCELHO DE FRONTEIRA

O Concelho de Fronteira situa-se na zona sul do distrito de Portalegre, ocupando uma área de 245,20 quilómetros quadrados, com cerca de 3.782 habitantes (censos 2001) distribuídos por três freguesias: Fronteira, Cabeço de Vide, S. Saturnino e os lugares de Vale de Maceiras e Vale de Seda.

Estas terras de Fronteira registam ocupação humana desde tempos ancestrais conforme os vestígios e monumentos arqueológicos inventariados, destacam-se: cerca de trinta antas; o conjunto de insculturas na rocha da Herdade dos Pintos; o conjunto rochoso revestido a estuque pintado da Pena Roía, normalmente designado por São Bento das Lapas e o conjunto de sepulturas escavadas na rocha, na Herdade dos Sete Vales, consideradas da Baixa Idade Média.

Sobre o curso da Ribeira Grande ergue-se uma ponte de construção sólida com dez arcos semicirculares, sendo seis deles guarnecidos de talhamares. Parece provável que a sua edificação tenha tido origem remota numa ponte romana pois, pelo local, passava uma via militar romana. Uma outra via romana passava pelo alto de Cabeço de Vide, descendo em seguida para a Ribeira da Vide por um troço de que restam, ainda, vestígios.

Locais de interesse do Concelho:

- Ribeira Grande – é um dos locais mais aprazíveis da região e é considerado como um possível factor de desenvolvimento. O local possui uma boa acessibilidade quer viária quer pedonal constituindo um espaço destinado ao recreio e animação cultural por excelência. Encontra-se em desenvolvimento o projecto de Ecomuseu para esta zona.

- Termas da Súlfurea – situam-se em Cabeço de Vide e registam uma evolução de procura a ritmos superiores aos da média termal nacional. Além de um produto para a saúde, o termalismo constitui um luxuoso e requintado produto turístico que o Concelho de Fronteira apresenta a quem o visita.

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Freguesias do Concelho:

Fronteira

- FRONTEIRA: A vila, sede do concelho do mesmo nome, é uma povoação muito antiga que já existia no século XIII. Situava-se, então, no alto do cabeço, a que se chama Vila Velha. Diz-se ter sido seu fundador D. Fernando Rodrigues Monteiro, 4º Mestre da Ordem de Avis, em 1226.

No reinado de D. Dinis deve a vila ter mudado para o local onde hoje se encontra, atribuindo-se a este monarca a edificação do castelo da vila.

Em 1384 teve lugar nos arredores da vila a Batalha dos Atoleiros, entre os partidários do Mestre de Avis e os do Rei de Castela. Nuno Álvares Pereira comandou um grupo de 1500 homens contra um poderoso exército de 5000 soldados castelhanos. “Pôs batalha por terra”, inovando as estratégias militares da época e destroçou o opositor alcançando uma retumbante vitória. D. João I não foi indiferente a este feito e, em 14 de Abril de 1424 passou uma Carta Régia aos habitantes da vila concedendolhes “pelos muitos serviços que esta vila nos fez, nos faz e esperamos que faça”, a isenção de pagamento de portagens, o direito de terem procuradores com assento em cortes no 12º banco e o direito de porte de armas por todo o reino.

D. Manuel I, em 1 de Junho de 1512, concedeu-lhe foral. Conforme os dados dos últimos censos, actualmente, Fronteira tem uma população de 2.260 habitantes.

Atividades económicas: Agricultura, pecuária, pastorícia, indústrias: confecção, volantes, panificação, salsicharia, construção civil, comércio e serviços.

Património edificado: Igrejas Matriz, da Misericórdia e do Sr. dos Mártires. Capelas de Nossa Senhora da Vila Velha, de Nossa Senhora das Dores, do Arco dos Santos e do Senhor das Almas. Torre do Relógio, Cruzeiro de São Brás, Pelourinho, algumas casas/solares, pormenores arquitectónicos de chaminés locais, monumento à Batalha dos Atoleiros, ponte romana, moinhos de água e diversas fontes.

Outros locais de interesse turístico: Turismos rurais do Monte dos Aroeirais e do Monte dos Atoleiros; reservas de caça associativa; zona piscatória da Ribeira Grande; complexo desportivo e miradouro do adro da Capela de Nossa Senhora da Vila Velha.

Festividades: Em Agosto, festa do Verão em honra de Nossa Senhora da Vila Velha. Feriado Municipal – 6 de Abril Novembro – Festival de Balonismo Novembro – 24H TT

Feiras: Anuais - 29 de Junho e 24 de Outubro. Mercado mensal na última quinta-feira de cada mês.

Gastronomia: Açorda alentejana, migas, sarrabulho, ensopado de borrego, cachola, etc. Doces: bolo de folha, ramos e costas.

Artesanato: Peças em madeira, cortiça e chifre. Cerâmica e pintura cerâmica, azulejaria, trabalhos em ferro e bordados.

Colectividades: Atlético Clube Fronteirense, Clube Artístico Fronteirense, Clube de Pesca Fronteirense, Clube Columbófilo Fronteirense e Teatro Escolar de Fronteira (Senior e Juvenil).

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- LUGAR DE VALE DE SEDA: É uma povoação recente que teve a sua origem no aforamento do baldio do mesmo nome, em finais do século XIX, com uma população de 152 habitantes.

As principais atividades económicas são a agricultura e a pecuária.

Património edificado: Igreja de Nossa Senhora da Assunção.

Festividades: Festa do Verão

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- CABEÇO DE VIDE:

“ …Eu te saúdo, linda vila do Alto Alentejo, alcandorada lá no cimo do teu trono de rocha bruta, encostada à protecção da Senhora das Candeias, mirando do alto o mundo em roda” (Augusto Serras e Silva, Monografia de Cabeço de Vide).

Há quem atribua aos romanos a fundação da primitiva povoação mas, sabe-se, que o território foi alvo de ocupação humana desde o Neolítico, conforme comprovam diversos achados arqueológicos (machados e facas de pedra lascada e polida, numerosas antas, etc…). Sem dúvida, os romanos permaneceram neste território. Por Cabeço de vide passava uma estrada subsidiária da importante via militar romana que ligava Lisboa a Mérida. Vinda de Alter Pedroso, aquela estrada secundária passava no alto de Cabeço de Vide, descia à Ribeira de Vide por um troço do qual ainda restam vestígios e servia as Termas da Súlfurea.

Segundo a tradição, a primeira fundação da localidade foi no sítio do Pombal. Escreve António Novais (1635), “havia uma povoação onde, por ocasião de uma batalha, ficaram por enterrar muitos mortos do que resultou uma peste; alguns feridos subiram ao cabeço do outeiro e assim que respiraram os ares puros logo cobraram a saúde; vendo isto, os que ficaram em baixo foram subindo ao alto do monte e lhe chamaram dali por diante Cabeço da Vida”.

Diz ainda o autor da “Relação do Bispado de Elvas”: “ No alto havia um zambujeiro, com uma parreira que trepava por ele e com as suas vides e rama faziam sombra onde se acolhiam enfermos e convalescentes. Despovoado o sítio do Pombal e edificada a vila nesse lugar, lhe chamam Cabeço da Vida e pelo tempo em diante Cabeça da Vide”.

Estas duas versões acabaram por determinar o topónimo actual.

No ano de 1160, D. Afonso Henriques conquistou a povoação aos árabes e reconstruiu-a no alto do cabeço para melhor se defender dos inimigos.

Em 1 de Julho de 1512, D. Manuel I concede foral novo a Cabeço de Vide, que se constituiu em sede de concelho.

Em pleno século XIX, as Invasões Francesas, depois, a Guerra Civilque terminou com a derrota dos absolutistas, em 1834; a fome e outras privações contribuíram para que, em 24 de Outubro de 1855, Cabeço de Vide deixasse de ser concelho. Foi, então, integrado como freguesia no concelho de Alter do Chão. Manteve-se nesta situação até 21 de Dezembro de 1932, data em que transitou para o de Fronteira.

Conforme dados dos últimos censos, actualmente, Cabeço de Vide tem uma população de 1072 habitantes.

Atividades económicas: Cabeço de Vide é um meio rural, com uma população bastante envelhecida.

Antigamente a população activa dedicava-se principalmente à agricultura. Atualmente as principais entidades empregadoras são as Termas da Súlfurea, a Santa Casa da Misericórdia e os cursos de formação promovidos pelos organismos competentes.

Património edificado: Arquitectura tradicional da zona histórica: edifício dos antigos Paços do Concelho, cruzeiro, castelo, pelourinho, fontes da Bica, do Borbolegão, Nova e Zambujo, Anta da Serra da Pena e troço da via romana. Igrejas Matriz e do Espírito Santo; capelas da Misericórdia, do Calvário e de Nossa Senhora dos Anjos, ruínas da capela de nossa Senhora do Carmo e do Santo Mártir.

Locais de interesse turístico: Termas da Súlfurea, turismos de habitação, zonas piscatórias da Ribeira da Vide e Vidigão.

Festividades: Nossa Senhora das Candeias, a 2 de Fevereiro; Nossa Senhora dos Anjos, segunda-feira de Pascoela e festas do Verão.

Feiras: Anuais - 18 de Junho e 3 de Abril.

Gastronomia: Sopas de cação e de tomate, sarapatel, açorda, migas e ensopado de borrego.

Artesanato: Ferraria, rendas e bordados, artefactos de madeira, cortiça e palha.

Colectividades: Grupo Desportivo Vidense e Rancho Folclórico de Cabeço de Vide.

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- SÃO SATURNINO E LUGAR DE VALE DE MACEIRAS: A ocupação deste território ascende a eras remotas, existindo abundantes vestígios de ocupação romana na Herdade de S. Francisco (mosaicos, telha, cerâmica), em Vale de Paredes (ara funerária) e inúmeros monumentos megalíticos na Herdade Grande.

Um topónimo importante na região é Monte dos Frades. Pensa-se corresponder a um prédio de corporação eclesiástica, pertencente à Ordem de Avis, à qual se deve o repovoamento do território de São Saturnino após a Reconquista.

Esta freguesia, ao longo dos tempos, adquiriu diferentes nomes: São Saturnino e Vale de Maceiras; São Saturnino de Valongo e, somente, Valongo.

O orago São Saturnino remonta ao período visigótico e é um culto pouco vulgar entre nós. O topónimo Valongo talvez provenha de um transporte do culto de Valongo, de Avis, e assim, ter-se-ia aplicado também o topónimo São Saturnino de Valongo. Passou a ter a actual designação pelo Decreto-Lei nº 27.424 de 31 de Dezembro de 1936. A propósito, Baptista de Lima, no segundo volume de Terras Portuguesas, resume: “ (…) denominase São Saturnino pelo nome do santo a quem foi consagrada a igreja e Valongo (Vale Longo) e Vale de Maceiras, pelo vale que perto lhe passa, atravessado pela ribeira de Ana Loura”.

Atualmente esta freguesia tem uma população 347 habitantes.

Atividades económicas: Agricultura e pastorícia.

Património edificado: Igreja matriz de São Saturnino, Igreja de Nossa Senhora da Oliveira de Vale de Maceiras, arquitectura tradicional local, forno público, moinhos de água e antas da Herdade Grande.

Locais de interesse turístico: Turismo Rural do Monte da Herdade Grande, reserva de caça e zona piscatória da Ribeira Grande.

Festividades: Festa do Verão em honra de Nossa Senhora da Oliveira e Nossa Senhora do Rosário.

Gastronomia: Sopa e caldeirada de peixe do rio e ensopado de borrego.

Artesanato: Artefactos de madeira, cortiça e chifre, rendas, bordados e tapeçaria.

Colectividades: Grupo Desportivo e Comunitário de Vale Maceiras e Clube de Caça e Pesca de S. Saturnino.

Última alteração: Sábado, 15 Abril 2017, 01:23
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